quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alvorada




Sabe, moça, eu queria que você fosse só uma menininha assustada, escondida sob os lençóis, com medo do escuro. E que fosse só acender as luzes do quarto pra ficar tudo bem. Mas o que te aflige parece bem maior do que um cômodo escuro. Parece grande demais pra que você se proteja sob um cobertor. Pra ser sincera, eu não sei bem o que tem te doído. Mas, o que quer que seja, tem chegado até aqui.  Então nada tira de mim essa vontade de te pôr no colo e nada é capaz de conter essa minha necessidade de dizer que tudo vai ficar bem. E eu digo porque acredito nisso. Porque sei que você é forte e que consegue superar qualquer coisa. Mesmo assustada, mesmo machucada. Você é muito, muito maior do que qualquer monstro que tenha se escondido debaixo da tua cama. A sua luz é capaz de te tirar do escuro, e se você achar que não, eu estou aqui, pra você. E te estendo a minha mão, pra segurar a sua e esperar o Sol voltar. Eu estou aqui, pra amparar as suas lágrimas, te oferecendo meus braços e abraços. Te mostrando que você não está sozinha, que a segurança logo volta, que o dia nasce logo, logo. Sendo irritantemente otimista, numa tentativa de arrancar de você um sorriso, ainda que bobo, mas sincero. 
Não vou acender a luz do quarto pra você, moça. Não seria justo te poupar da vitória. Mas eu vou ficar aqui, as mãos dadas com as suas, até você conseguir caminhar pelo cômodo escuro e acender as luzes por si mesma. Eu vou estar aqui pra ver o seu sorriso quando o escuro passar. 
Me dá a mão?


P.S. : Daqui a pouco a noite termina. Vê...? Logo o Sol surge no seu horizonte. E eu quero ver um sorriso seu assim: com o amanhecer brincando de colorir seu rosto.