quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alvorada




Sabe, moça, eu queria que você fosse só uma menininha assustada, escondida sob os lençóis, com medo do escuro. E que fosse só acender as luzes do quarto pra ficar tudo bem. Mas o que te aflige parece bem maior do que um cômodo escuro. Parece grande demais pra que você se proteja sob um cobertor. Pra ser sincera, eu não sei bem o que tem te doído. Mas, o que quer que seja, tem chegado até aqui.  Então nada tira de mim essa vontade de te pôr no colo e nada é capaz de conter essa minha necessidade de dizer que tudo vai ficar bem. E eu digo porque acredito nisso. Porque sei que você é forte e que consegue superar qualquer coisa. Mesmo assustada, mesmo machucada. Você é muito, muito maior do que qualquer monstro que tenha se escondido debaixo da tua cama. A sua luz é capaz de te tirar do escuro, e se você achar que não, eu estou aqui, pra você. E te estendo a minha mão, pra segurar a sua e esperar o Sol voltar. Eu estou aqui, pra amparar as suas lágrimas, te oferecendo meus braços e abraços. Te mostrando que você não está sozinha, que a segurança logo volta, que o dia nasce logo, logo. Sendo irritantemente otimista, numa tentativa de arrancar de você um sorriso, ainda que bobo, mas sincero. 
Não vou acender a luz do quarto pra você, moça. Não seria justo te poupar da vitória. Mas eu vou ficar aqui, as mãos dadas com as suas, até você conseguir caminhar pelo cômodo escuro e acender as luzes por si mesma. Eu vou estar aqui pra ver o seu sorriso quando o escuro passar. 
Me dá a mão?


P.S. : Daqui a pouco a noite termina. Vê...? Logo o Sol surge no seu horizonte. E eu quero ver um sorriso seu assim: com o amanhecer brincando de colorir seu rosto.

terça-feira, 23 de março de 2010



Sabe o que eu queria agora, meu bem...?
Sair, chegar lá fora e encontrar alguém,
Que não me dissesse nada,
Não me perguntasse nada também.
Que me oferecesse um colo ou um ombro
Onde eu desaguasse todo desengano.
Mas a vida anda louca,
As pessoas andam tristes
Meus amigos são amigos de ninguém.
Sabe o que eu mais quero agora, meu amor?
Morar no interior do meu interior
Pra entender porque se agridem,
Se empurram pro abismo,
Se debatem, se combatem sem saber...
Meu amor,
Deixa eu chorar até cansar
Me leve pra qualquer lugar
Aonde Deus possa me ouvir
Minha dor,
Eu não consigo compreender
Eu quero algo pra beber
Me deixe aqui pode sair.
Adeus...



segunda-feira, 8 de março de 2010

(parênteses);

(você me conquistou devagar, me ganhou pouco a pouco, dia a dia. Há tempos meu último pedaço foi ganho, e eu me vi conquistada por completo. Mas, nos últimos tempos, eu sinto como se você tivesse entrado no processo inverso, e perdesse, ao invés de ganhar. Um pedacinho a menos por dia. E, exatamente como quando você me ganhou, aparentemente são pedaços pequenos, que demoram a fazer falta. Mas eu, meu bem, me pergunto. Será que você só vai tentar me ganhar de novo quando perder o último pedaço?)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Começo #2

Eu sempre tive medo de começos. Mais até do que de conclusões. É que necessito certezas, preciso das minhas bases. E conheço poucas coisas mais incertas do que começar.
Me vem esse frio na barriga, essa sensação de desconhecido, esse engolir-em-seco. Esse meu medo do dar errado. Mas não posso evitar, estou viva, pulsando, e quem vive está fadado aos começos. E embora me assuste, o incerto também me fascina. Algo em mim brilha mais forte quando decido me envolver. E se me envolvo, só consigo dar de mim o meu melhor. E logo me vejo acreditando no sucesso. Meu lado otimista me obriga a sorrir e acreditar que o primeiro passo é o mais importante.
Então planejo, projeto, respiro fundo e - desistindo de resistir - começo.

Dou um primeiro passo.
Já sinto o frio na barriga - e sabe? Ele me faz sorrir.

Começo.

Cumprimentos são o que geralmente dizemos quando queremos começar algo.Principalmente um diálogo.Somente eu começo pela despedida.Adeus.Começos sempre são custosos e eu queria me despedir logo só pra mostrar o tanto que sou capaz de ir embora quando eu quero.
Mas não se pode enganar o tempo, os sonhos ou luz.Somente pessoas.E pessoas não são responsáveis por muito embora achem que sejam muito donas de tudo.
Eu não sou dona disto.E nem de mim.E nem do que vier daqui por diante.
Pois tudo aqui está solto no ar partir do momento que é lido.
Aproprie-se.